sábado, 29 de agosto de 2009

Conversa de msn

- É Nega, é o fim dos tempos...
- Você acha?
- Tenho certeza! Os sinais são muitos...
- Por exemplo?
- Veja o Twitter, são aforismos como se fossemos pré-socráticos... Ademais, tem a wikipédia, você sabe, tá escrito na Bíblia, tá virando outra Babel e depois teve a biblioteca de Alexandria.
- Queimaram, mas não acabou, se todos os livros que estão ai dentro falam coisas diferente do que diz o Alcorão eles são mentirosos e merecem ser destruídos, se falam o mesmo, são desnecessários... Mas desde quando se vale da bíblia pra qualquer coisa?
- É Nega, tá vendo como tá chegando ao fim...

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Do que falava

Os termos próprios eram: apetite ilícito intelectivo sendo o império da vontade e apetite ilícito sensitivo, como o sujeito das paixões humanas.
Sei que eram frades do séc. XIV, mas se vc não reparar nos detalhes a teoria funciona bem, ao menos, não se contradiz; mas não fala nada do Amor. Este tem como causa o Bem que é o conhecimento e a verdade.
Isso tudo faz sentido quando a gente lê, O nome da Rosa. Sem o mosteiro fica meio perdido...
E firmamento é o céu.
É isso aí.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Física

Foi pra falar do que se move que Aristóteles desenvolveu a Física.
Movimento era então a mudança. Esta ocorria entre dois extremos: a matéria prima, ou pura potência e o Ato puro. Ele não considera o movimento como faz Newton, e a gente, a partir de um referencial, era mais a atualização, o que pode ocorrer em tudo que tem Alma, que é o princípio interno de movimento, ou seja, pode se mover sozinho: uma semente tem a árvore inteira em potência, por exemplo; um cachorro tem alma, já que pode caminhar e se desenvolver sozinho.
Um planeta também tem alma, pelo mesmo motivo, mas aí falamos de algo que é diferente ao menos quanto a constituição, posto ser feito de éter, o que o torna perfeito, diferente dos corpos presentes aqui na Terra.
Nem precisamos chegar à beatitude para salvar as bruces., Aristóteles nos fez esse favor...
Nada de novo no reino da lógica.
Que dizer?

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Anos

1961 de trás pra frente ainda é 1961.

Dúvidas

Visual:

-Azul combina com vermelho?
-Combina, combina sim... Fica um visual meio navy.
-Ah!?!


Existencial:

As filosofias orientais recomendam que se suprima o ego.
Então, como um bom ocidental, pergunto:
- Se suprimir o ego, ainda serei eu?

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Bruce é Bruceshield, e Bruceshield não é nada.
Perdida na fugacidade da moda, que é o ente matemático que mais se repete em um conjunto, ela não pode ser conhecida, pois, é necessário a imutabilidade para que o conhecimento seja efetivo, e ela não atende a essa premissa.
Mas, se a Beleza, por si só, é um jeito de se alcançar a beatitude, que é a própria felicidade, enquanto estivermos aqui, neste plano, elas são o próprio caminho a ser seguido.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Curioso II

Antes da revolução copernicana, era a Terra que estava no centro do universo. Já ouviram falar da geocentricidade, pois era assim mesmo que os antigos explicavam o céu, e colocavam a esfera da Lua e do Sol girando em torno da Terra, envolvidos pelas estrelas fixas, as quais, dada sua natureza eram perfeitas e não mudavam nunca, eram até feitas de outro elemento, o éter. Não era por burrice que eles faziam isso: olhe, agora, e verá o Sol subindo e se pondo, e depois dele vem a Lua, descrevendo, mais ou menos, o mesmo movimento. Uma conclusão evidente, então, são eles quem se movem.
Mas o tempo passou e os homens colocaram tudo no seu devido lugar: o Sol no centro do sistema solar, a Lua girando em torno da Terra e o homem no centro de tudo.
Cada estrela que vemos no céu é como se fosse o nosso Sol, que nada mais é do que uma estrela. Em torno de cada estrela pode haver um sistema como o nosso, mas o mesmo homem insiste em dizer que estamos sozinhos aqui...

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Idéias

Ninguém questiona, hoje, que cada um tenha suas próprias idéias, mas nem sempre foi assim. O termo Idéia surgiu com Platão para nomear as entidades separadas da matéria, que terminavam por receber o nome da respequitiva Idéia. Assim, cavalo era cavalo porque participava da Idéia de cavalo, o mesmo ocorre com mesa, faca e também com as coisas que não são propriamente materiais, como belo, coragem, bravura, etc...
O que a gente dá de barato e que de barato não tem nada é a invensão do sujeito, coisa da modernidade, e que fica clara quando a gente lê, e entende perfeitamente, no texto de Descartes: Penso, logo existo.
Sei que o salto é grande, deixo de lado Aristóteles e toda sua crítica à teoria platônica das Idéias, a idade média e a compatibilização feita por eles entre Platão, Aristóteles e o Deus cristão, mas 2500 anos de história não cabem num post.

Pra começar

Ao vê-la, me lembrei de Dora. Como se fosse possível personificar a personagem, mesmo que as gargalhadas sejam as mesmas...

segunda-feira, 16 de março de 2009

Cena

Lembro como se fosse hoje: os meninos mais altos te levantando pra você enterrar na tabela da quadra do colégio; os cabelos encaracolados, claros e longos, nos ombros, alguns gostam de usá-los assim, nessa idade.
E as gargalhdas eram fartas...

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Noções de História

Há aqueles que consideram a História segundo uma suposta "linha", na qual os fatos se sucedem linearmente, como é evidente. Para estes ocorre, sempre, uma evolução e, por consequência, os últimos tempos são os melhores, pois acumulam, e resultam, de todos os anteriores. Então, por simples acumulação, vivemos no melhor dos tempos.
Outros, por sua vez, entendem que a História acontece em "ciclos", sendo assim, existem períodos de apogeu e de declínio. Para estes, entre outras coisas, é preciso uma análise dos fatos para determinar se o momento histórico é bom ou não; poderiam argumentar, então, que Paris no século XIV foi o apogeu dos tempos modernos, termo que, aliás, significa, os do nosso tempo, e que depois disso, decaimos, ou caminhamos para outro lado do círculo, numa revolução eterna.
Haveria uma terceira que tenta articular as duas anteriores: teria, então, a forma de uma espiral. Assim, as revoluções apresentam uma certa repetição dos tempos anteriores considerada a evolução do passar do tempo.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Sobre a loucura.

Que botar pra fora faz bem, e os loucos sabemos disso.
Que importa as cores que viu
é um colorido único, vale ser lembrado.

Todos querem um Homem que já não existe.

Não estranhe que tenha entendido o movimento Celeste
melhor que agora que está melhor.

O Coração escapa a simetria do corpo, não é um acaso
vale seguir suas recomendações, a despeito das médicas.

loucos são os que não entendem
ou, como diria um Mestre:
"Ninguém sabe de nada,
eu sei..."

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Curioso I

Que rebata seus próprios argumentos, quando eles são expressos pelas minhas palavras.
Que rejeite a minha crítica, sem atacar os meus argumentos.
Que me considere menor, sem ouvir o que estou dizendo.

é nois

A forma, é nois, que aparece como um erro se levamos em conta a gramática, traz algo mais, se rejeitada a convenção.
O verbo na terceira pessoa do singular, mais a segunda pessoa do plural, mesmo que esta traga o registro próprio da oralidade, aparece como a forma precisa de dizer que, eu e você somos um só diante das mais diversas situações.
Será a forma mais precisa quando a intenção for expressar essa comunhão de pensamentos, atitudes, vontades...

sábado, 24 de janeiro de 2009

Nem um, nem outro

Se já discutiram tanto, e por tanto tempo, pra saber se é o Estagirita, ou Platão, quem está certo, não esperem de mim uma resposta final sobre o assunto. Essa celeuma começou quando os dois ainda eram vivos e Aristóteles saiu do Liceu platônico para fundar sua Academia, por não concordar com o que seu professor ensinou, (detalhe: ele ficou 20 anos estudando antes de sair...)
Desde então, passamos por diferentes momentos: ora era Aristóteles, ora Platão, quem dominava a cena. Ambos tiveram seus momentos de glória e de esquecimento: na baixa idade média, por exemplo, era Platão quem dizia como funcionavam as coisas; logo depois, séc. XII, os academicos da Igreja, começaram a receber as traduções dos textos aristotélicos, via Árabes, e então escreviam Filósofo, assim, com letra maiúscula, tamanho o domínio que Aristóteles exercia naquele tempo.
A noção de Ciência que nós empregamos, mesmo que hoje seja completamente diferente; a forma dissertativa que importa até no vestibular; a Lógica, isso tudo, e algo mais, é aristotélico. Porém, quem estuda as formas de aprendizado infantil, e aqui, penso em, Piaget, acredita que a criança já tem algo de pronto, desde que nasce, o que é, evidentemente, platônico.
E não é que eles estão certos!
Explico: ao que parece, a criança precisa saber alguma coisa para "se virar" quando chega nesse nosso plano, mas a experiência me dá um exemplo com o qual reafirmo minha escolha: sem experimentar, não dá pra formular um juízo: Um amigo, vinte e tantos anos, montou seu primeiro computador. Estava ali para ajudá-lo no que fosse possível, uma vez que tecnologias não são meu forte. Quando ele lança a pergunta, de absoluta pertinência para quem nunca havia experimentado o fato: Quando esse barulhinho chato pára?
Bem vindo ao novo mundo!
Era o realmente incomodo barulho do cooler...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Ode ao Pai

Dega, sei que sou criança perto de ti... Me ensinou tudo que sei da vida, dos prazeres de enrolar, sobre a Selic, e sobre mais um tanto de coisas que nem vale a pena enumerar aqui, só servirão para elogiá-lo. As obrigações nos afastam, mas ainda vou ao seu lado, sempre...

Diferenças

Mesmo aqueles que não acreditam na existência da alma, vão aceitar a existência do intelecto, como sendo aquilo que comanda o corpo. Cabe reconhecer as diferenças existentes entre eles, entre a mente e o corpo: que o corpo depende da mente para agir, é certo, mas a mente não precisa do corpo pra nada e os sonhos são o exemplo disso. Não digo que sem o corpo, a mente continue a existir, é certo que quando falo da mente, falo da mente deste corpo, mas sem necessitar do que é próprio ao corpo: comer, beber, mover...
Para uns, ela sempre existiu, precede o aqui e agora, esses a chamam de alma. Há aqueles que entendem que a mente existe para coordenar o corpo, não é necessário que ela exista nem antes nem depois do próprio corpo.
2500 anos depois, ainda parece que discutímos se somos aristotélicos ou platônicos...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Genial!

Os passos apressados revelavam a pontualidade e organização de uma bibliotecária que, diante da pergunta do curioso, pergunta necessária para melhor conhecer o caráter, e o que anos de profissão conferem à pessoa, seja ela, então, a mais simples de todas, será também a mais reveladora: qual tipo de livro preferido? respondeu imediatamente e sem pestanejar: - Os clássicos.
sr.

sobre a cópia

A primeira forma de arte é a cópia. A tentativa de reprodução é sempre enganadora, como se falou em outro lugar, basta aceitar, já que os exemplos se sucedem para comprovar: novelas são úteis para provar isso, pelo desacordo entre a realidade e o retrato da realidade que é apresentado por ela. Mesmo assim, espetáculos de música, principalmente, são agradáveis, quando propõem este formato; bandas que dão os primeros passos fazem isso para evoluir, ou optam por seguir fazendo o mesmo, se especializando, imitando cortes de cabelo, costeletas, e afins...
Pra nossa sorte, os ventos do sul trazem o novo, e então, o espetáculo é certo.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Diálogos platônicos

- Não precisava fazer assim, eu faria tudo que me pedisse, sempre fiz, você sabe...
- séria, Não vai adiantar, agora, vc me dizer isso assim, com essa calma, como se nada tivesse acontecido. Como se minhas atitudes fossem perdoáveis. Não quero seu perdão, não quero mais nada.
-Mas eu sim, quero que as coisas sejam como...
- interrompendo ferozmente, Suas carícias, seus agrados, não mudarão o que fiz, nem o que o que ainda quero fazer.
- surpreso, Como assim?
-sarcástica, Que foi? Não achou que ia parar por aqui, né? Escuta o que te digo: Eu mudei! Quero ser outra, vc não me basta mais. Seus sonhos não me servem mais.
- alterando a fisionomia, Quer dizer que os sonhos eram meus? Quer dizer que a casa branca, as crianças... foram desejos meus?
- num tom mais ameno, Sabe que não, mas...
- interrompendo, É, agora vejo o que está acontecendo...
- séria, Ahhh, não me venha com suas interpretações, seus achismos. Não me interessa a teoria que me apresentará, agora.
- calmo, Não faça pouco dos meus pensamentos, ou esquece que foi por eles que se apaixonou?
- É, esse foi meu erro.
- Erro? Não querida, é isso que acontece quando nos deparamos com a verdade. Foi ela quem te convenceu, sabe que não encontrará outro, assim, como eu...
- E quem disse que é isso que eu procuro?
- Me lembro, agora, de uma música: Quando olhastes bem, nos olhos meus, e o teu olhar era de adeus... E os seus não me parecem assim...

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

O Tempo

De fato, eles não consideram as Formas como matéria das coisas sensíveis nem o Um como matéria das Formas; tampouco consideram as Formas como princípio de movimento (elas são, segudo eles, causa de imobilidade e repouso), Metafísica, A.

Falar sobre o tempo pede recurso à uma fugacidade de instantes, exemplos, o que torna a tarefa difícil, bem como quanto pretende-se falar do movimento. Peço, então, auxílio aos academicos. Para Aristóteles esse "existir" não é mais que um "melhorar", posto ser a atualizaçao da matéria em direção forma, ou se preferirem, da potência ao ato; e tudo se diluirá no Ser, ele sim, ato puro, primeiro motor imóvel, aquele que está fora do próprio tempo e vê tudo passar, e que, como o amante, move sem nada fazer.
Pede a distinção lógica, uma vez que falamos do tempo significando as condições climáticas; outras vezes, como aqui, ele significa o passar do dia; o "time is money" pede pra esquecer seu próprio passar, mergulhados nos fazeres da rotina, para pensar em dinheiro e em como nos falta tempo pra ganhar mais. O próprio ideal de beleza encontra, aqui, um desafio: a mágica que torna as mulheres mais velhas, mais novas do que quando eram jovens; tenta assim, disfarçar a passagem do Tempo, como o exemplo de Dorian Gray, mesmo que o pacto seja menos macabro. Diferente da citação, onde as coisas têm princípio, e dai um fim, nosso tempo é o da novidade, do que está por vir, nunca do agora. Então, a fugacidade do instante, do prazer fazer sentido.
Saber que poucas coisas escapam dessa engrenagem pós-moderna, (mesmo que moderno signifique, os que são do nosso tempo, o que torna desnecessário o pós), tornará o viver mais significativo quando encontrarmos algo assim, e se me pedem exemplos: a Arte e o Amor, acho que estes são os melhores, mesmo que as maiúsculas peçam explicações.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

II.

Era pequeno, como o lugar onde estava. Azulejos quebrados eram sinais dos tempos tempestuosos que ainda não haviam passado por completo, por mais que fosse a vez do silêncio e da arrumação. Devia ter escapado pelo tamanho, ínfimo, ou foi obra do acaso, fosse qual fosse o motivo pelo qual permanecia ali, deixaria saudades, se tivesse partido com a discussão, com a quebradeira, mas nada que perdurasse além do ano novo. Coisas de orixás.
Esse nada, chamava a atenção pelo fato de ser inútil. Não era possível ver, com a precisão que se espera, a cor dos olhos, ou mesmo, as imperfeições da pele. E se perguntava por que não dava, ele mesmo, um fim naquilo tudo? Se os tempos fossem outros, se a avó ainda estivesse por ali para recriminar-lhe os atos violentos, vá lá, mas sentia que não podia, e mesmo que fosse pra ver pouca coisa, olhava, mais atento do que nunca, e via ainda a mancha, a mesma, de anos. Lembrava dela pequena, mas a cada vez que voltava os olhos para ele, o que não fazia com freqüência, a marca aumentava, como quem diz: Não está me vendo aqui?
Cansado do descaso, resolveu por um fim nas dúvidas e passou a olhar diretamente, pela última vez, para a herança da família. Herança? Aquilo era tudo, menos coisa pra guardar pra posteridade, pras futuras gerações... Olhou, e viu seu rosto, como nunca antes, com toda a sua velhice prematura; a prata havia descolado, ou era o seu rosto que havia impregnado a feiura? Não tinha razão para continuar com aquilo, estava decidido. Quando o pegou da parade, e segurou relembrando as peripécias de menino; quando o trouxe na altura dos olhos, ele se partiu, parecia que havia sido atirado ao chão. Quebrado em milhares de pedaços, era possível escutar o seu desdém, no barulho do estilhaço, como quem diz: Acabou, e pra você, deixo os cacos...
Só restou a vergonha

parênteses

E os uruguaios conseguem dançar sem ritmo, movimentos sincopados, números e máquinas, robos. A platéia, quieta como que querendo entender o silêncio do palco, da mãe que põe a mesa pra cinco, e do começo ao fim, o teatro é só dela.
Os espectadores deixaram o teatro antes do fim, saída discreta pela pela porta dos fundos. Ficamos na primeira fila a espera do instânte perfeito...
Existem coisas que só precisam da ocasião pra serem boas. Essas sempre valem a noite, e, então, o Belo.



o telefone tocou quando começava Got be real. Assim como a chuva, as borboletas, as boas músicas trazem um novo significado pro dia, pro todo.
Era Ela; não sabia bem o que fazer, aquele frio que sobe por dentro, as lembranças; é curioso como a vida passa rápido no quando do perigo. Mentira, não era perigo, era o amor que trazia as lembranças, tudo, ao mesmo tempo: a loucura, a paixão, as desculpas, que nunca são capazes de tirar a culpa, as marcas...
Não queria atender... ou queria? E, então, escutaria a voz rouca, suave; a delicadeza das mãos, dos pés, as unhas à francesa, a cintura, era a vida, o porquê, e quando não, nas ausencias do dia, era a foto que levava na carteira, duas pro caso de perder.
Já não pensava mais. Seria tudo novo de novo, a casa, os filhos, o resto da vida, pra sempre. Lógico que as coisas dariam certo; nunca mais discussões; perfeito...
Então, estava tudo certo,
menos a curva cega na pista molhada.
Ainda podiam escutar o telefone.

domingo, 16 de novembro de 2008

I.

Cética, ela negava que tudo é palavra, mesmo que usasse as de todos os tipos pra discordar. E a raiva lhe trazia um não sei que aos lábios que os deixavam vermelhos carne, abertos, úmidos e vibrantes. Procurava com os olhos saídas possíveis, mas nunca sem a palavra final, nunca.
Bela, ainda menina, no mínimo, nos jeitos. A flor de croché nos cabelos conferia o ar da mais pura das mulheres, daquelas que deixa a Razão falando sozinha, sem audiência, a qual se volta toda para ela quando entra na sala.
O vestido, sempre o vestido, nem curto, nem longo, mostrava as pernas e pedia o resto à imaginação.
Era dia de festa na rua, pessoas conhecidas, pessoas novas, de repende, era o seu sorriso que foi seguido da pergunta despretenciosa: Você se parece com alguém?!
Só sobraram as costas pra ouvir a resposta.

da rua Vergueiro

Tutaméia é tuta-e-meia, meia coisa, de tão pequena que é; significa isso, coisa risível, que sem mais porquê se acaba, porque não tinha nem porquê começar. Na origem está o plágio, o roubo discarado dos nomes geniais que me faltam. Cito a fonte esperando que a envergadura do nome me salve da condenação por prática tão comum em tempos de controle c, controle v, e de esperanças quebradas pela bolsa: foi Rosa quem me soprou esta.
Fica também acertado entre nós, que nada está acertado antes de existir, de estar posto no post, devidamente configurado e imagéticamente visualizado, à imagem das páginas de um livro de páginas amarelas, que fechamos quando a porta do trem se abre e é hora de entrar... ou de sair. Serve então de prólogo, proêmio, prefácio, pois são aquelas reservadas às explicações, e que preparam os leitores para o que virá.
Essas histórias de homens e mulheres, as quais, provavelmente, só farão sentido quando lidas no ponto certo da varanda, são as mesmas que acontecem no ir e vir de todo da dia útil, que acostuma os olhos à beleza da cidade cinza, que por suas formas facilita o enquadramento num filme futuro, mesmo que já não hajam mais tantas varandas para serem filmadas...

sábado, 15 de novembro de 2008

Um certo Homem

A visão do Belo causa, em todos nós, a multiplicidade de sentimentos próprios aos amantes. Por isso, nunca é com um olhar desinteressado que o espectador contempla o espetáculo. Porém, por vezes, acontece algo que diz respeito tão somente aos artistas que o apresentam e que estarão sujeitos à crítica do esteta, (a bem da verdade é que ele diz respeito aos espectadores, mas o ingresso já foi pago, então, é tarde para arrependimentos): a falta do, Homem de Gênio! Ele é aquele que, seja em qual arte for, (teatro, música, dança...), faz a diferença, exatamente por não ficar restrito ao universo do comum.
Darei um exemplo, para que se torne mais claro o que digo: O espetáculo "Bossa Nova", da companhia de dança, Ballet Estagium, por não contar com nenhum daqueles poucos Homens, torna uma apresentação que tem a trilha sonora "perfeita", em uma repetição infindável do mesmo gestual de mãos, o que mostra a limitação do coreógrafo que, no caso deste tipo espetáculo deveria ser o Homem de que falei antes, e sem o qual não será possível sair do comum. Não peço saltos, manobras, ou coisas mágicas, o Homem de Gênio é exatamente aquele que responde a pergunta: por que com mais, se com menos? então, não será o uso de efeitos especiais que trará a mágica ao espetáculo.

Sobre o Nome

O jeito mais fácil pra falar de assunto tão delicado é utilizar a pergunta: Se o nome não tem importância, se qualquer apelido se constitui, por força do humor, mais significativo que o nome original, por que eles se dão ao trabalho de mudar o nome de, por exemplo, uma estação, (Bresser, para Bresser-Móoca)? Parece que o nome aponta para algo maior. Esse nominalismo tem fundamento, no mínimo, para os estudiosos da cabala...

Sobre a Morena.

Existem três tipos de mulheres que podem ser chamadas, morenas: 1- a clássica, aquela que tem a pele morena, a justa medida entre o branco e o negro, como é evidente, cujos cabelos podem ser de qualquer tipo, liso ou enrolado, uma vez que a pele é suficiente por todo o resto. 2- a branca que tem os cabelos negros também é chamada, morena. Por mais que no carnaval ela não seja, propriamente, a mais aclamada, ela também recebe, e merece o título, tenha o cabelo do tipo que tiver, mesmo que o mais comum seja o liso, tenha sardas ou não. 3- o terceiro tipo de morena parece hoje uma personagem mítica, é a morena rosa. Preciso buscar na memória sua imagem, o tom da sua pele, sem que tenha certeza, porque fazem muitos anos que não encontro nenhuma desse tipo. Não sei se é a maquiagem, o protetor solar, ou sei lá eu o que mais que as mulheres fazem para deixar de ser o que verdadeiramente são, o fato é que talvez ela só seja encontrada nos clássico da MPB. Seus cabelos são tudo, menos lisos.